Tenho um monte de coisas para ler. Melhor ainda: eu estou com vontade de ler um monte de coisas. Estou voltando ao normal mesmo. Na verdade, aquele post "Notícias do Front" só tem o nome que tem por causa de um livro que eu estou lendo chamado Disparos do front da cultura pop (Barracuda, mesma editora do B92), de Tony Parsons e que, aliás, é dela.
É muito bacana. Tony Parsons, inglês, é jornalista, começou escrevendo para a NME (New Musical Express) nos anos 70, hoje é colunista do Daily Mirror e romancista. O livro reúne vários artigos dele, divididos por assunto: música, amor e sexo, polêmica, viagens e cultura.
Eu não estou acostumada com esse tipo de livro, então achei que ele parece um blog. Dos bons. Ele tem um estilo muito engraçado, irônico e de vez em quando maldoso. Em suma, uma delícia de ler. Já que são artigos sem muita conexão uns com os outros, eu tive a grande idéia de ler os textos aleatoriamente e agora eu tenho que ficar procurando os que eu não li: não faça isso com você, leia na ordem.
O que deve determinar se você vai ou não gostar do livro é realmente a sua relação com a cultura pop; meio difícil gostar de ler artigos tratando de assuntos que não despertam o interesse. Na parte de música, óbvio, ele fala de rock - com algumas exceções ("É verdade que você é um cretino arrogante George [Michael]?").
Os artigos do "amor e sexo" estão mais ou menos no molde "garotas, ouçam o outro lado, por favor". São sete, dois deles publicados no Guardian e três na Elle. Bem legais, engraçados e interessantes. Sempre legal saber o que se passa no outro lado.
Em "viagens" ele escreve as impressões que teve de Chicago, do Japão, Gana, Milão, Hong Kong, URSS e Houston, fugindo dos manjadíssimos comentários leigos sobre a arquitetura e História do lugar. Ótimos, também. O que eu acho chato nesses relatos de viagem é que a formação pessoal interfere demais no que chama a atenção, então só indo você mesmo ao lugar para ver se é aquilo mesmo. Mas o jeito que ele escreve é tão bom que você nem vai lembrar de tudo isso. E agora eu tenho um ótimo motivo para ir pra Chicago: ele está lá.
"Polêmica" e "Cultura" são bem variados. Vai de mulheres bêbadas até Ian McEwan.
Desagradável é a inveja que bate enquanto leio o livro, coisa que talvez não aconteça com todo mundo. Sinto muito, mas eu tenho inveja de um sujeito que fala com o Clash, com os Pistols, com o Bowie, com o Bruce, que viaja com as contas pagas, etc.
Para ilustrar, trechinho do "Disque-Ramone: Gabba explicado", NME, Agosto de 77:
"Da última vez em que eu falei com os Ramones eles estavam duros. Tommy diz que a situação financeira melhorou um pouco ultimamente.
"'Naquela época eu não tinha um puto', resmunga ele. 'Agora eu tenho um puto', brinca. 'Ha-ha-ha-ha-ha!'.
"E o uniforme de jaqueta de couro, camiseta, tênis vagabundos e calças Levi's com ventilação nos joelhos? São essas as únicas roupas que os irmãos têm?
"'É, essas são as únicas roupas que temos há três anos', Tommy suspira.
"Por quanto tempo?
"'Três anos', ele repete impacientemente.
Não está ficando um pouco... usado?
"'Bom, fede um pouco', ele ri. 'Especialmente no calor. Mas é só deixar pendurado na janela por um tempo que não fica tão ruim.'"
Ah. Eu quero falar com o Tommy Ramone no telefone.
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Estou ouvindo a mesma coisa há duas semanas.








