Domingo, 12 de Julho de 2009

O melhor emprego do mundo?

Tenho um monte de coisas para ler. Melhor ainda: eu estou com vontade de ler um monte de coisas. Estou voltando ao normal mesmo. Na verdade, aquele post "Notícias do Front" só tem o nome que tem por causa de um livro que eu estou lendo chamado Disparos do front da cultura pop (Barracuda, mesma editora do B92), de Tony Parsons e que, aliás, é dela.

É muito bacana. Tony Parsons, inglês, é jornalista, começou escrevendo para a NME (New Musical Express) nos anos 70, hoje é colunista do Daily Mirror e romancista. O livro reúne vários artigos dele, divididos por assunto: música, amor e sexo, polêmica, viagens e cultura.

Eu não estou acostumada com esse tipo de livro, então achei que ele parece um blog. Dos bons. Ele tem um estilo muito engraçado, irônico e de vez em quando maldoso. Em suma, uma delícia de ler. Já que são artigos sem muita conexão uns com os outros, eu tive a grande idéia de ler os textos aleatoriamente e agora eu tenho que ficar procurando os que eu não li: não faça isso com você, leia na ordem.

O que deve determinar se você vai ou não gostar do livro é realmente a sua relação com a cultura pop; meio difícil gostar de ler artigos tratando de assuntos que não despertam o interesse. Na parte de música, óbvio, ele fala de rock - com algumas exceções ("É verdade que você é um cretino arrogante George [Michael]?").

Os artigos do "amor e sexo" estão mais ou menos no molde "garotas, ouçam o outro lado, por favor". São sete, dois deles publicados no Guardian e três na Elle. Bem legais, engraçados e interessantes. Sempre legal saber o que se passa no outro lado.

Em "viagens" ele escreve as impressões que teve de Chicago, do Japão, Gana, Milão, Hong Kong, URSS e Houston, fugindo dos manjadíssimos comentários leigos sobre a arquitetura e História do lugar. Ótimos, também. O que eu acho chato nesses relatos de viagem é que a formação pessoal interfere demais no que chama a atenção, então só indo você mesmo ao lugar para ver se é aquilo mesmo. Mas o jeito que ele escreve é tão bom que você nem vai lembrar de tudo isso. E agora eu tenho um ótimo motivo para ir pra Chicago: ele está lá.

"Polêmica" e "Cultura" são bem variados. Vai de mulheres bêbadas até Ian McEwan.

Desagradável é a inveja que bate enquanto leio o livro, coisa que talvez não aconteça com todo mundo. Sinto muito, mas eu tenho inveja de um sujeito que fala com o Clash, com os Pistols, com o Bowie, com o Bruce, que viaja com as contas pagas, etc.


Para ilustrar, trechinho do "Disque-Ramone: Gabba explicado", NME, Agosto de 77:

"Da última vez em que eu falei com os Ramones eles estavam duros. Tommy diz que a situação financeira melhorou um pouco ultimamente.

"'Naquela época eu não tinha um puto', resmunga ele. 'Agora eu tenho um puto', brinca. 'Ha-ha-ha-ha-ha!'.

"E o uniforme de jaqueta de couro, camiseta, tênis vagabundos e calças Levi's com ventilação nos joelhos? São essas as únicas roupas que os irmãos têm?

"'É, essas são as únicas roupas que temos há três anos', Tommy suspira.

"Por quanto tempo?

"'Três anos', ele repete impacientemente.

Não está ficando um pouco... usado?

"'Bom, fede um pouco', ele ri. 'Especialmente no calor. Mas é só deixar pendurado na janela por um tempo que não fica tão ruim.'"


Ah. Eu quero falar com o Tommy Ramone no telefone.

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Estou ouvindo a mesma coisa há duas semanas.

Moon & Bá

"Fábio Moon e Gabriel Bá são contadores de histórias.

Fábio é formado em Artes Plásticas pela FAAP, gosta de dança de salão e músicas cantadas por mulheres. Gabriel é formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, não lê jornal e gosta de estar na companhia dos amigos.

Fábio e Gabriel são irmãos. Gêmeos.

Eles cresceram juntos, sempre moraram juntos e trabalham juntos. Já publicaram no Brasil, Estados Unidos, Espanha e Itália. Já ganharam os troféus HQ Mix, Angelo Agostini e o Xeric Foudation Grant.

Eles sabem que ninguém é uma ilha e a importância que uma pessoa tem na vida de outra e é isso que eles querem contar em suas histórias.

Para isso, eles criaram os 10 Pãezinhos. Juntos."

Está escrito isso na página do Uol dedicado aos 10 Pãezinhos, num pedaço intitulado "biografia".

Ouço falar desses dois há um bom tempo, em ocasiões bem variadas, mas só cheguei a ler alguma coisa deles na semana passada; peguei dois lá na Gibiteca Henfil, do Centro Cultural São Paulo (regras complicadas! Já esqueci todas). Ambos da série 1o Pãezinhos, os dois primeiros: O Girassol e a Lua (2000) e Meu Coração, Não Sei Por Quê (2001).

Gostei bastante dos dois. E olha que depois de ler Retalhos você fica bem exigente. O estilo dos dois é muito literário. O bastante para deixar bem quietinho quem liga HQs ao Batman e nada mais.

O Girassol e a Lua é mais interessante, para mim. É uma história com um pé no suspense policial e outro no drama amoroso, contada em flashback e de um jeito meio História Sem Fim (pessoa lendo os acontecimentos e tal). É triste, bonito e a história foi tão bem construída que a ansiedade para saber o que acontece faz o leitor terminar o livro numa velocidade absurda. Eu já falei que prefiro quando o foco da obra (filme, livro, etc) é tudo menos o final, mas nesse caso, a curiosidade com o final não ofusca nem um pouco os atributos formais do livro e os detalhes - o vilão inspirado em Van Gogh, por exemplo.

Meu Coração, Não Sei Por Quê é sobre amor mesmo, e claro, não aborda o tema como todo mundo o faz. É bem etéreo, fabuloso, e às vezes parece que o Guimarães Rosa está narrando. Tanto que frases dele - não sei dizer de onde são todas, são muitas - estão espalhadas pelo livro, como parênteses de narrador, mesmo. Esse flui com menos facilidade que o anterior, mas não porque seja mais chato; é mais complicado, simplesmente.

Adoraria comentar os traços, o desenho, as influências e todo o resto do jeito que os críticos fazem, só que eu infelizmente não sou expert em quadrinhos. Eu só gosto muito e conheço alguns autores, maioria só de nome.

Bom, pelo menos agora eu conheço os Gêmeos.


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Ouvindo "Walking on the Water": ele tocando CCR.
*suspiro*

(Não, eu não tenho ouvido outras coisas. Por isso que o LastFM está pegando pó.)

Sábado, 4 de Julho de 2009

It's the end, the end of the seventies...

Um tempo atrás falei de uma série da BBC chamado The Seven Ages of Rock. Na introdução do terceiro capítulo, o narrador diz que Nova Iorque em 1975 era uma cidade perto da falência e um lugar que não era nem um pouco divertido; ela tinha perdido o rumo. "Tudo bem", pensei. Ora, para aparecer alguma coisa como o punk tinha que estar ruim mesmo, mas eu não pensei que as coisas estivessem tão ruins como são mostradas no documentário NY77: The Coolest Year in Hell (de Henry Corra, 2007), também descoberto no VH1.

Pelo visto entre 75 e 77 as coisas só pioraram para a Big Apple. Eram assassinatos, gangues, prostituição, bairros e construções completamente deteriorados, pobreza, incompetência das autoridades e assim por diante. Puro caos. É claro que o diretor pode ter exagerado um pouco, mas eu duvido.

Duvido porque no final, ele passa uma sensação muito nostálgica, que é justificada pela efervescência cultural da cidade na época. Mais uma dessas vezes que os astros se alinham e as pessoas certas estão no lugar certo sob as condições certas no momento certo. No caso, as correntes eram: hip-hop, disco e o punk.

Achei inteligente o jeito que o documentário foi montado, porque dificilmente você está realmente interessado nos três "movimentos", então os comentários sobre os três vão se intercalando e junto, o contexto sócio-político da cidade (foi inevitável pensar "volta pro CBGB* pô!"). Legal também foi mostrar que as "panelas" eram bem divididas por área. Não sabia. Os punks no Lower East Side, os clubbers no Soho e os caras do hip-hop no Bronx. E ninguém tinha a pretensão de se misturar. Será então verdade que os americanos são assim para tudo?

A parte do hip-hop é legal, sim. Eles mostram os pioneiros (como o Bambaataa) e mostram como tudo cresceu. Bacana. Vários depoimentos de gente grande também, mas não vou ficar falando porque eu não manjo. Pena que agora, pelo menos no mainstream, é chato.

A parte do disco é a pior, sem dúvida. Mas eu odeio disco então deve ter alguma relação. Eles falam de Studio 54 etc. Uma chatice. (haha)

Ah, o punk. Umas imagens de arquivo ótimas, fotos lindas, depoimentos de caras incríveis (adoro ser imparcial). Chris Stein do Blondie, Tommy Ramone, Bob Gruen, autores do Please Kill Me (Larry "Legs" McNeil e Gilliam McCain), Richard Hell . Falam do CBGB e como todo mundo na cena se conhecia e tocava uns com os outros. No encarte do Blank Generation (sim, eu tenho \o/), John Piccarella até diz o seguinte: "no CBGB, em Max's Kansas City, e em outras casas que apareciam e sumiam, bandas se formavam, separavam, recombinavam como a meiose e mitose de células de um maníaco, mutante embrião". É isso aí.

Além da música, o documentário fala do notório blecaute que aconteceu em 77 e em menor escala das muitas crises da cidade e assuntos no campo do comportamento. Bares gays, bares de swing, o grafite que começava a decorar o metrô...

E por fim, a saída do buraco. Os prédios espelhados, reformas, Rei Leão. E aquela sensação de "que tempo bom que não volta nunca mais". Pelo menos eles viram!; e eu que tenho saudades de uma coisa que nunca presenciei?


* Falando em CBGB: eu choro - sem brincadeira - quando eu vejo como ele está no momento. Olha só que merda, já comecei de novo (e estava ouvindo Dulli e Lanegan tocando "I Am In The Heavenly Way", é muito linda; nisso que dá). Ainda bem que não é podcast.

Ps.- Wow, ficou enorme.


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Ouvindo Television, "Glory". Como a do post anterior, no bom e velho micro system. Adoro os meus cds!! xD

Notícias do Front


A freqüência e qualidade dos posts recentes são conseqüência do que anda acontecendo aqui no mundo fora do computador. O curso* não me inspira nenhum tipo de sede pelo conhecimento e a cada dia que passa eu estou mais vagal; estou só mantendo as minhas notas. Não ando com muita vontade de ver filmes mais exigentes e largo quase todos os livros que pego. Poucas coisas estão me interessando e estou parecendo o Jacinto de A Cidade e as Serras.

A situação começou a dar uma progredida há pouco tempo. Encontrei o meu cobertor felpudo para dias frios que melhora tudo: o punk rock. (Na verdade, mais os caras que faziam parte da cena, já que é chato colar rótulo em todo mundo.) Sempre ouvi, conheci e gostei, mas agora está diferente. As declarações e propostas desses jovens estão mexendo de verdade comigo e estou me identificando com eles mais do que nunca. E eles estão provocando mais sorrisos incontroláveis do que antes também.

Por causa dessa fixação estou começando a voltar ao normal. A vontade de correr atrás das coisas - filmes, livros... - está aumentando e as idéias estão vindo. Poderes de cura do rock. Aliás, engraçado como a música ajuda nas fossas. Parece que outros tipos de arte exigem um estado de espírito adequado para você conseguir apreciar. A música, não.

Enfim. Posts relacionados ao punk vão chover aqui. Só avisando.


*eu já não gosto muito de diminutivos, desse aí então nem se fala.


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Ouvindo Richard Hell & the Voidoids, "New Pleasure". Não é mais impossível escrever ouvindo as músicas dele; gosto demais, ele já não pode me atrapalhar, haha.

Domingo, 28 de Junho de 2009

Malhação vai à Biblioteca


Mentira, na verdade. Tudo o que é sólido pode derreter não é um mero "Malhação vai à biblioteca". É mais sério, inovador e diferente do que isso.

Seriado adolescente nacional estranho desses só podia ser da Tv Cultura, mesmo. Grande Tv Cultura. A produção é deles e teve treze capítulos; o último foi liberado na internet nesse fim de semana.

A série é sobre Thereza, garota que acaba de entrar no primeiro colegial - da rede pública - e relaciona episódios do seu cotidiano a algumas obras literárias em língua portuguesa relevantes e que freqüentemente são rotuladas de "não têm nada a ver com a minha vida". (Hang the dj, hang the dj...) Entre elas, Sermões de Padre Vieira e Os Lusíadas. Lógico, sempre aquelas situações adolescentes, só que umas mais do que outras.

É difícil inovar no conteúdo quando os conflitos são os mesmos há, literalmente, séculos, sem muitas diferenças, mas esse até que consegue. Achei o máximo a menina procurar apoio com o tio intelectual que já morreu, por exemplo. E nem precisa mencionar a aproximação da rotina com a literatura sem ficar muito nerd. Indo mais para o lado técnico, tem os cenários que fazem parte da vida de qualquer paulistano como o centro antigo e o Centro Cultural da Vergueiro. E tem também a trilha bonitinha, que é a geração nova da mpb e do pop nacional que os meus amigos descolados ouvem.

Pronto, já fiz o jabá. Nem ia fazer, mas o último capítulo ficou tão bacana que precisava; toda produção diferente merece estímulo, nem que seja em um blog aleatório.

O site da série é esse, muito bem feito. E todos os capítulos estão disponíveis nele.


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Ouvindo Who, "1921". Ah, eu quero em vinil! >.<

(vou ouvir o Tommy inteiro pra tentar dar um tempo no Hell & Afins. Não vou conseguir, já estou com saudades! xDD)

Domingo, 21 de Junho de 2009

It's Only Teenage Wasteland


Umas semanas atrás saiu um Caderno 2 (do Estado de S. Paulo) sobre quadrinhos e livros infanto-juvenis. Estou numa fase muito HQs, quase não tenho lido prosa. HQs e NY, 1977. As matérias são de 6 de Junho: Retalhos de Craig Thompson; filmes de Carlitos adaptados para quadrinhos; Pippi Meialonga; A Árvore dos Desejos de Faulkner pela Cosac Naify; adaptações de O Pagador de Promessas (Dias Gomes), O Guarani (Alencar) e Jubiabá (Jorge Amado). Além disso, o relançamento de Luluzinha, agora adolescente.

Foi só aparecer Crepúsculo e as menininhas enlouquecerem que todo mundo quer pegar carona. Existe então Luluzinha adolescente, Turma da Mônica adolescente, Os Anjinhos (Rugrats) adolescente e provavelmente muitos outros de que ainda não tomei conhecimento. Que saco.

Esses projetos são um baita tiro no pé. Não sei dizer exatamente o que os autores pensam de tudo, mas eles não devem se empolgar com idéias que se originaram em escritórios frios. Não dá pra negar que essa onda é puro apelo comercial; "impuro", portanto.

Sou muito contra. É de uma irresponsabilidade infinita pegar esses ícones culturais fortíssimos, atemporais, e transformá-los em uma coisa aleatória encalhada nas bancas, porque o público alvo não adere (espero), e motivo de chacota e decepção para quem já conhecia os personagens. Exagero? Da matéria: "No primeiro número, Luluzinha e Glorinha vão ao show da Pitty, que concede uma entrevista exclusiva para a garota de cabelos cacheados, agora mais longos". WTF.


(sim, eu gosto de reclamar. É por isso que está escrito "válvula de escape" embaixo do título.)


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Ouvindo Richard Hell and the Voidoids, "Down at the Rock and Roll Club". Estava ouvindo Ney Matogrosso antes porque é impossível escrever ouvindo Richard Hell. Dá mó vontade de ficar latindo com ele. xD

Sábado, 13 de Junho de 2009

Em Defesa dos Chatos & Imaturos



Sabe quando um amigo muito querido seu está sendo ofendido e açoitado na sua frente e uma vontade cega de defendê-lo toma conta de si? Pois então. Eu fico mais ou menos do mesmo jeito quando falam mal da segunda fase do Romantismo perto de mim. Ou Byronismo. Ou ultra-romantismo.

Um professor do curso criticou fortemente os autores dessa fase; não de forma compreensiva, mas depreciativa. Isso me incomodou. Todas as críticas têm fundamento e são verdadeiras, mas essa literatura é do jeito que é por muitos motivos e eles não devem ser banalizados como mera imaturidade.

O Romantismo nasceu do Iluminismo. Depois das muitas derrotas da Razão na Europa (como a volta do absolutismo na França depois de Napoleão) veio a frustração com os ideais revolucionários. Muito melhor pensar em si. E essa mesma Razão também passou a ser questionada, afinal, algumas coisas estavam além da compreensão do homem. O Sentimento virou a prioridade. Isso faz muito sentido.

Tem a história da evasão ainda. Aquilo de ao invés de enfrentar os problemas da vida, ficar sonhando com a morte e tudo mais. Daí isso seria a "imaturidade". Que coisa mais hipócrita! Então as pessoas precisam ser fortes o tempo inteiro, encarar a própria existência com racionalidade sem nunca se desesperar e acima de tudo, escrever como todos somos vigorosos não importa a situação? Ahhh, que bom. Lembrando Bandeira: Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. E ser honesto com o que se sente é uma forma de libertação.

Ao mesmo tempo em que é inspirador ler sobre pessoas que triunfam, é reconfortante ler sobre os loosers, os caras que simplesmente sofrem (porque os motivos não são da conta de ninguém se não deles próprios).

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O Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, talvez não seja rotulado de imaturo, mas chato, com certeza. De fato, ele é muito chato. Ele não gosta de companhia, reclama, fica lembrando a própria infância cheio de nostalgia, xinga.

Eu acho reconfortante ler os textos dele. Ele se dá o direito de ser idiota, de não ser coerente com os fatos, sejam eles quais forem.

E outra coisa: o fato dos textos dele apontarem para essa direção, não quer dizer que ele seja desse jeito. É a mesma libertação dos românticos. (Sem dizer que escrever é uma puta válvula de escape.)

Obs.: Eu sei que ele não existe.


Pois é. Os chatos e imaturos precisam se unir.



(fato de Álvares de Azevedo. E eu gostei do conceito de Noite na Taverna. É meio Poe encontra Henry Miller.)

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Estava ouvindo o Zoom na Cultura, mas já acabou.